Pesquisa Cooperativa

Em primeiro lugar, para obter resultados é preciso organizar a gestão da pesquisa. Na PETROBRAS, a aferição da busca da qualidade total utiliza indicadores que focalizam desde a satisfação do cliente até a produtividade. Outro índice é a relação custo/benefício da pesquisa.

A PETROBRAS investe 1% do faturamento bruto em Pesquisas e Desenvolvimento - P&D, algo em torno de 200 milhões de dólares. Para cada dólar aplicado em P&D, gerou-se quatro dólares de resultado no final de 96.

A PETROBRAS pratica quatro modalidades de pesquisa cooperativa: cooperação com fabricantes; com as universidades e centros de pesquisas; projetos multiclientes e alianças estratégicas.

Em projetos com várias indústrias, cada uma entra com seus equipamentos e conhecimentos, reduzindo consideravelmente os custos. Reunindo sete companhias, por exemplo, desenvolveu-se tecnologia de bomba submersa para extração de petróleo na Bacia de Campos.

A PETROBRAS tem uma longa experiência com centenas de universidades brasileiras e os resultados são positivos. Também mantém convênios com universidades e centros de pesquisa de empresas similares no exterior. Os resultados são altamente positivos em trabalhos conjuntos com instituições da Colômbia, do México, Venezuela, países da Europa e Estados Unidos.

Outro modelo de cooperação é o dos Projetos Multiclientes, em que cada um participa do trabalho de uma fração e se beneficia do todo.

Na troca estratégica de tecnologia com empresas congêneres o resultado mais uma vez é muito ampliado. A PETROBRAS não teme a concorrência, precisamente porque está trabalhando em parceria com as melhores empresas do ramo.

No passado dizia-se que o Brasil não possuía petróleo. Em função de um trabalho sistemático, de busca e construção de conhecimento, hoje produzimos 900 mil barris/dia. Em breve deveremos estar produzindo mais de um milhão, devendo chegar rapidamente a 1,5 milhões de barris/dia.

O Brasil possui pouco petróleo em terra e abundante nas águas profundas. Não havia no mundo solução tecnológica para extrair esse petróleo. A PETROBRAS desenvolveu tecnologia e está perfurando, a 1.700 metros de profundidade, os poços mais profundos do mundo.

O petróleo das jazidas brasileiras é do tipo pesado, e o país precisa do tipo leve, melhor para produzir diesel e GLT. Trabalhando em conjunto com universidades, a PETROBRAS processa bem esse petróleo e com isso toda a sociedade é beneficiada.

A pesquisa cooperativa existe há bastante tempo em nosso meio, dando-se porém, de forma vertical, ou seja, a associação de uma empresa com uma universidade para desenvolver um tema específico. No programa da RECOPE - Redes Cooperativas de Pesquisas - a proposta é fazer de forma mais horizontal, agregando tanto empresas como universidades numa rede formada para trabalhar por objetivos.

O RECOPE oferece a oportunidade de se queimar etapas na formação de grupos de pesquisa. Este programa resultou de estudos realizados junto a quase quinhentos pessoas acadêmicas e empresariais que indicaram sete temas prioritários para o desenvolvimento tecnológico no país.

Cada um destes grandes temas proporcionou a formação ou a consolidação de redes cooperativas. Os sete temas estão muito ligados ao setor industrial e contam com uma bagagem sólida por parte dos centros de pesquisa e das universidades. As redes são dinâmicas e abertas. Participam da rede inclusive empresas concorrentes entre si.

Não é uma tarefa fácil. As universidades tem o hábito de buscar financiamentos para si e olhar as demais instituições como rivais. Há outras problemas que devem ser observados para o sucesso da rede. Uma delas é o prazo que pode ser incompatível com as expectativas. Muitas vezes, se houvesse um prazo mais longo, a universidade poderia desenvolver um trabalho melhor. Ao se fazer a interação com a empresa, deve-se ter claro que à universidade cabe a pesquisa básica.

O momento é propício para se investir em cooperativas, e as vantagens são óbvias. A primeira delas é que oferece meios de agregar competência quase on line. A segunda vantagem é a possibilidade de complementar a competência, trazendo o conhecimento de colegas do mundo todo.

Outro ponto é o sinergismo provocado pela eficiência dos atores - a universidade e a empresa - ambas trabalhando com as vantagens comparativas de cada uma.

O momento é favorável porque são fáceis os acessos ao exterior e se tornam mais fáceis ainda entre regiões. As fronteiras ficam a cada dia mais transparentes. Hoje já é possível utilizar um laboratório localizado a grande distância. Tudo isso favorece a integração regional e a redução das discrepâncias no âmbito nacional.

Leia o artigo de Antonio Sergio Fragomeni.

Leia o artigo de Fernando Cosme Rizzo Assunção.


Os conferencistas

Antonio Sergio Fragomeni e Fernando Cosme Rizzo Assunção

Veja um perfil de Antonio Sergio Fragomeni.

Veja um perfil de Fernando Cosme Rizzo Assunção.


Voltar