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de Pesquisa cooperativa A Pesquisa Cooperativa como Solução para o Desenvolvimento TecnológicoAntônio
Sérgio Fragomeni
IntroduçãoComo reflexo do amadurecimento da inserção da tecnologia como fator de competitividade das empresas, tem crescido nos últimos anos a interdependência das estratégias de negócio com as estratégias de desenvolvimento tecnológico. Assim, ao lado dos desafios tecnológicos para garantir soluções voltadas para o negócio, as empresas vêm enfrentando desafios, também, quanto aos modelos de gestão de P,D&E. O CENPES vem aperfeiçoando o seu processo de gestão de P,D&E e tem sempre considerado o leque de oportunidades que se apresentam, traçando estratégias e ações voltadas para o reforço do papel da tecnologia PETROBRAS como:
Para a manutenção do retorno financeiro das atividades de P,D&E, a PETROBRAS tem como principais suportes a adequação das carteiras de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico aos seus objetivos e sua política de cooperação tecnológica, tendo em vista as vantagens proporcionadas pela agregação de competências acadêmicas e industriais.
Integração das estratégias tecnológicas
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| Instituição | Investimento 95 (R$ Milhões) |
| PUC/RJ | 3,3 |
| UFRJ | 1,7 |
| UNICAMP | 1,1 |
| UFSC | 0,4 |
| UFOP | 0,4 |
| Outras | 1,3 |
| Total | 8,2 |
No quadro 2 apresentam-se alguns exemplos de linhas de pesquisa desenvolvidas pelas universidades nacionais.
Quadro 2 - Linhas de pesquisa
| Universidade | Exemplos de linhas de pesquisa |
| PUC/RJ | Inteligência Artificial/ PIG / Exploração em águas profundas |
| UFRJ | Cálculo Estrutural/ Robótica/ Catalisadores/ Corrosão/ Biotecnologia |
| UNICAMP | Modelagem de reservatórios/ Biotecnologia/ Robótica/ Estabilidade de poços |
| UFSC | Remediação de contaminação de solos |
| UFOP | Modelagem geológica/ geoquímica ambiental |
| USP | Sistemas de ancoragem/ Simulação de vapor/ Mecânica das rochas |
| UFSCAR | Materiais compósitos |
| UFRGS | Sedimentologia/ Estratigrafia/ Petrografia orgânica |
Um exemplo bem sucedido de projeto desenvolvido em parceria com uma universidade nacional foi o desenvolvido para um sistema de separação, realizado com a UNICAMP. O protótipo foi testado junto com um outro protótipo desenvolvido no projeto multicliente VASPS (Vertical Annular Separation Pumping System), onde a AGIP era a líder e participavam PETROBRAS, MOBIL UK e BP. Ambas as concepções para o sistema de separação se mostraram eficientes, estando previsto um novo teste em campo marítimo.
Recentemente, foi implantado o primeiro projeto multicliente nacional, liderado pela PUC/RJ e com a participação de 8 (oito) Companhias do setor petróleo - PETROBRAS, NORSK HYDRO, STATOIL, SAGA, PIPETRONICS, ANCAP, HALLIBURTON e EXXON. O projeto se propõe a desenvolver um sistema de Simulação do comportamento de pigs e está orçado em US$ 198 mil, com a duração de 18 meses. Dentre as vantagens deste projeto ser desenvolvido no Brasil está o reconhecimento da capacitação da comunidade de P&D nacional no mercado mundial e o domínio total sobre as etapas do desenvolvimento do projeto pela PETROBRAS, garantindo a consolidação da tecnologia no nível operacional.
No âmbito nacional, o CENPES tem buscado parcerias, também, com instituições governamentais de fomento, em busca de apoio ao desenvolvimento tecnológico, por meio de incentivos fiscais e financiamento à redes de cooperação. Como exemplos tem-se:
Os grandes desafios da indústria do petróleo levou a PETROBRAS a buscar, também, o fortalecimento da sua base de conhecimentos em instituições de C&T internacionais, como universidades, centros de P&D e nas próprias indústrias do setor. Este tipo de cooperação, comum internacionalmente, é operacionalizada por meio de projetos multiclientes, coordenados por uma das instituições, normalmente uma universidade, e estendida a participação para outras instituições interessadas, mediante rateio dos custos pré-estabelecidos no início dos projetos.
Os projetos multiclientes têm sido uma das formas de aquisição de tecnologia em crescimento na empresa, como mostra a figura 2. A meta estabelecida para 1996, conforme revisão de metas do Plano Plurianual de Atividades para o período 1995 a 1999, é investir cerca de US$ 2,5 milhões nesses projetos anualmente. Em 1996, até Junho, foram despendidos US$ 1,2 milhões. A carteira de projetos é composta por 71 projetos, destacando-se no quadro 3 alguns exemplos de linhas de pesquisa em desenvolvimento.
Fig. 2 - Investimento na comunidade de P&D internacional
Quadro 3 - Exemplos de linhas de pesquisa desenvolvidas em instituições externas
| Universidade | Exemplos de linhas de pesquisa |
| Royal Holloway and Bedford New College (UK) | Dinâmica de falhas |
| Imperial College England (UK) | Fluxo multifásico |
| Heriot-Watt (UK) | Modelagem de reservatórios |
| Stanford (USA) | Geoquímica orgânica Tomografia sísmica |
| Tulsa (USA) | Fluxo de fluidos Separação Multifásica |
| Manchester (UK) | |
| Colorado School of Mines (USA) | Inibição de hidratos |
O objetivo principal deste tipo de parceria é acompanhar o estado-da-arte das tecnologias emergentes, ainda em estágio pré-competitivo, e identificar potenciais parceiros para acordos de cooperação no desenvolvimento conjunto de sistemas ou processos operacionais.
A PETROBRAS, através do seu centro de pesquisa, tem firmado acordos de intercâmbio tecnológico com Companhias da indústria do petróleo, como Shell, BP-Statoil, Agip e IFP, entre outras, visando a troca de experiências e inserção da tecnologia como contrapartida em negócios conjuntos. Várias tecnologias estão sendo objeto de acordos, como mostra o quadro 4.
Quadro 4 - Exemplos de tecnologias, objeto de acordos de intercâmbio tecnológico
| Tecnologia | Acordo |
| Perfuração em águas profundas | Petrobras-BP/Statoil |
| Bombeamento multifásico | Petrobras-Shell Petrobras-BP/Statoil |
| Completação submarina | Petrobras-Shell |
| Sistema de produção flutuante | Petrobras-Shell Petrobras-BP/Statoil |
| Plataforma de pernas atirantadas | Petrobras-Shell |
| Hidratos e parafinas | Petrobras-Shell Petrobras-BP/Statoil |
| Catalisadores | Petrobras-IFP |
A necessidade de garantir o escoamento do petróleo, produzido em águas profundas, tem demandado a adaptação dos sistemas de produção convencionais. Para isso a PETROBRAS, por meio do CENPES, tem estabelecido vários acordos de parceira tecnológica com fabricantes de equipamentos. No quadro 5 listam-se alguns exemplos deste tipo de parceria.
Quadro 5: Exemplos de equipamentos desenvolvidos em parceria
| Equipamento | Fabricante |
| Bombeio centrífugo submerso – BCSS | Pirelli, Tronic, Reda/Lasalle e Cooper/Cameron |
| Bombeamento multifásico | Westinghouse/ Leistritz |
| Árvore de natal molhada horizontal | Cameron |
| Medidor multifásico | Fluenta |
A tecnologia de Bombeio Centrífugo Submerso para poços submarinos (BCSS) é produto de um acordo de intercâmbio entre a Petrobras e 6 fornecedores, como Pirelli (cabos elétricos), Tronic (conectores elétricos), Reda/Lasalle (bomba, motor e protetor) e Cooper-Cameron (adaptação da árvore de natal molhada para receber os conectores elétricos), onde a Petrobras detinha a tecnologia de árvore de natal molhada.
O sistema, que tem por objetivo substituir o método de elevação artificial de gás lift, está instalado no poço 4-RJS-221 (Campo de Carapeba) desde outubro de 1994 sem interrupção para manutenção. Como resultado, o projeto posicionou a Petrobras como líder mundial no desenvolvimento desta tecnologia e, em termos financeiros, apresenta, até o momento, um índice de 2,3 para a relação benefício/custo. Está prevista uma nova instalação no poço 4-RJS-477A (Albacora Leste) a uma profundidade de 1109 m de lâmina d'água.
A fim de adaptar o BCSS às condições de produção em águas profundas, tanto em termos de durabilidade como de redução de custos, firmou-se uma parceria tecnológica com a Cameron para o desenvolvimento de um protótipo de árvore de natal molhada horizontal - ANMH. Neste conceito de árvore de natal, as linhas de produção são acopladas sobre a ANMH, permitindo, assim, a troca do BCSS sem a necessidade de retirar a árvore de natal e reduzindo o tempo de intervenção.
No âmbito do Mercosul, por meio do Comitê de Dirigentes de Centros de Investigación y Desarollo Tecnológico - CODICID, estão sendo definidas formas efetivas de cooperação tecnológica entre as empresas estatais latino-americanas do setor petróleo, como CENPES/PETROBRAS, IMP/PEMEX, ICP/ECOPETROL e INTEVEP/PDVSA. Foram formalizados oito temas de interesse comum, que estão sendo discutidos em seminários e desdobrados em projetos. A forma de operacionalização dos projetos pode ser cooperativa, um dos centros de P&D coordena e os outros apoiam com recursos financeiros e humanos ou participativa, na qual um dos centros lidera e os outros trabalham em fases ou etapas do desenvolvimento. Os temas contemplam tanto o segmento upstream como o downstream da indústria do petróleo, como:
A soma das competências do CENPES com as das outras instituições de P&D tem proporcionado o domínio de tecnologias fundamentais para o enfrentamento dos desafios impostos à Companhia, tanto na exploração de reservas localizadas em águas profundas como no processamento dos petróleos nacionais.
O retorno para a PETROBRAS dos investimentos em P,D&E é acompanhado por um dos indicadores do Sistema de Indicadores de Desempenho do CENPES, que considera apenas os benefícios dos projetos de P,D&E - não incluindo os benefícios dos serviços técnicos, dos projetos de meio ambiente, de desenvolvimento de metodologias e de capacitação. Em 1995, o indicador, definido como a razão entre os benefícios dos projetos concluídos nos últimos cinco anos em relação aos respectivos custos do CENPES, foi de 3,8. A figura 3 mostra a evolução deste indicador nos últimos 4 anos.
Fig. 3 - Evolução do indicador benefício/custo do CENPES
O modelo de pesquisa cooperativa adotado pelo Centro de Pesquisas da PETROBRAS tem apresentado excelentes resultados do ponto de vista empresarial, pois além de propiciar tecnologia de vanguarda para o próprio uso da Companhia, permite a realização de pesquisas a custos reduzidos e, também, o desenvolvimento de um volume adequado de pesquisa científica de longo prazo, compartilhada com universidades e outras instituições científicas nacionais e internacionais.
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