Educação continuada e atualização profissional

Podem-se mencionar nove razões que justificam a necessidade dessa atividade:

  1. a obsolescência dos cursos de graduação;
  2. a necessidade do engenheiro desenvolver habilidades, como a de expressar suas idéias e a de trabalhar em equipe;
  3. administração da carreira pós, as pessoas querem conquistar novas posições e, para isso, são necessários conhecimentos de administração, de gestão;
  4. a terceirização porque as organizações estão enxugando suas estruturas funcionais e cada dia precisam de mais competência;
  5. a necessidade de se fazer uma "segunda carreira" decorrente da perda da condição de assalariado;
  6. os profissionais precisam aprender as normas, os processos de auditagem e de qualidade, além dos casos de gerência de projeto, em virtude da propagação dos ambientes ISO;
  7. metade dos profissionais são do sexo feminino e quando voltam ao trabalho, depois de se licenciarem por causa dos filhos, precisam de reatualização;
  8. a necessidade dos professores se adequarem pedagogicamente para melhorar a forma de preparar os profissionais,
  9. a necessidade que as pessoas assumam sua carreira e procurem se valorizar no ambiente profissional.

Vista do ângulo individual, a educação continuada completa o conhecimento com perspectivas mais gerais. Do ponto de vista empresarial, mais que a necessidade de treinar pessoal, deve ser vista como processo coletivo de readequação estratégica da empresa. Temos exemplos concretos de empresas que, em parceria com universidades, conseguiram uma nova posição no mercado.

Do ponto de vista acadêmico, permite à universidade estender os conhecimentos disponíveis; testar temas e técnicas; estabelecer relacionamento bidirecional entre pessoas-empresas-universidade; permite também uma melhor utilização do patrimônio da universidade; e, também o crescimento da receita.

Do ponto de vista político, a educação continuada deve ser entendida como um elemento útil para que certos objetivos sejam alcançados. Na Europa, por exemplo, usa-se para manter o estudante mais tempo fora de um mercado de trabalho esmagado pelo desemprego.

Desde uma perspectiva socio-econômica, estaremos valorizando o patrimônio mais importante de uma sociedade que é o ser humano. E também é importante reduzir o hiato entre as regiões brasileiras e entre as empresas.

Para a educação continuada dar bons resultados é preciso que quem a receba esteja preparado para recebê-la. No caso do engenheiro, definido como o profissional que usa a engenharia para resolver problemas da sociedade, sua formação deve estar mais ligada ao processo mental do que à tecnologia.

O engenheiro tem que ter clareza sobre o contexto em que desenvolve seu trabalho, e para isso precisa de uma base humanística, precisa saber liderar. O curso de engenharia deve ser muito forte no básico, nas matérias que o aluno vai precisar sempre, como a matemática, a geometria etc.. O contato com o mundo externo deve acontecer já nos primeiros anos da faculdade.

Uma questão positiva é que é possível desenvolver a educação continuada em todo o tipo de organização, pequena ou grande: empresas, governo, sindicatos. Como exemplo, no setor da construção civil várias empresas têm-se organizado para receber os cursos de engenharia de produção oferecidos pela Fundação Vanzolini.

Para que haja desenvolvimento da educação continuada é preciso primeiro que haja um clima propício. Quando organizada nas empresas, não pode ter em mira apenas as pessoas. É a própria organização que tem que aprender. É fundamental que a organização aprenda. A partir do acirramento da competição, externa e interna, a empresa tem sido obrigada a repensar sua própria missão. E todos os elementos da empresa precisam ser capacitados para que isso ocorra.

No caso das empresas familiares é importante que o dono da empresa também esteja preocupado com o seu desenvolvimento. Da cúpula às bases, todos devem estar envolvidos. Quando o conhecimento é interiorizado, muda a cultura da empresa. As pessoas se modificam, a empresa se modifica e as transformações na empresa vão beneficiar diretamente as pessoas.

Por outro lado, o aprendizado deve ser coerente com uma estratégia. Isso quer dizer que, em primeiro lugar, a empresa deve ter sua estratégia. Só a partir de uma estratégia claramente delineada é que se poderá saber as necessidades de treinamento e desenvolvimento das pessoas.

São igualmente importantes o aprendizado formal e informal. O informal é o que se dá a cada minuto, a cada ação da empresa. A sistematização e a disponibilização de ambos completa o circuito para benefício de toda a organização.

Leia o artigo de Guilherme Ary Plonski.


Os conferencistas

Guilherme Ary Plonski e Hugo Marques da Rosa

Veja um perfil de Guilherme Ary Plonski.

Veja um perfil de Hugo Marques da Rosa.


Voltar