Artigo do programa
Novas tecnologias na educação

Educação a Distância e as Novas Tecnologias de Informação e Aprendizagem

Neri dos Santos


Introdução

As sucessivas inovações de tecnologias de comunicação aplicadas ao ensino caracterizam a intensificação dos processos de educação a distância como uma das tendências mais marcantes deste final de milênio. Apesar de utilizado há várias décadas, principalmente na América do Norte e Europa, o ensino a distância vem se configurando como uma das forças mais inovadoras para o aprendizado em todos os níveis. Dados do Conselho Internacional de Educação a Distância estimam que existem cerca de dez milhões de estudantes realizando cursos universitários a distância em todo o mundo (Brande, 1993, p. xvix). Segundo o mesmo relatório, apesar da dificuldade de determinar que áreas e graus de ensino essas pessoas estão cursando, os números conhecidos são bastante expressivos. Só na ex-União Soviética existem cerca de 1.200 instituições de ensino a distância alcançando mais de um milhão e meio de estudantes que representam 30% de toda a comunidade universitária do país. Em 1983, cerca de 40% da população universitária da China estudava a distância. Na Europa, 22% da população participa a cada ano de alguma forma de treinamento ou reciclagem a distância. Nos últimos quinze anos, segundo o mesmo relatório, novas instituições ou organizações estão sendo criadas exclusivamente para o ensino a distância nos mais diferentes cantos do planeta. (op. cit., p.xvix)

Cada vez mais o ensino flexível e a distância se apresenta como uma das formas de resolver o gap existente entre as nações e dentro destas, entre as populações situadas no centro e na periferia. Tem contribuído para isso o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação, que possibilitam o barateamento dos processos de transmissão e do acesso aos equipamentos por parte de instituições e estudantes. Meios como satélites, fibra ótica e linhas telefônicas com alta capacidade na transmissão de dados, possibilitam cada vez mais a interligação de alunos e professores através de computadores, antenas parabólicas e videocassetes. É cada vez mais fácil a difusão do conhecimento antes centralizado em poucos locais.

No caso do Brasil, o que se percebe é que há uma espécie de corrida em busca do tempo perdido. Após a hegemonia da transmissão em rede aberta de programas educativos por parte de emissoras de televisão durante os últimos trinta anos, tanto o governo, através do Ministério da Educação, como as universidades de forma isolada, vêm tentando ocupar o espaço da produção e veiculação do conhecimento a distância. A perspectiva é de que se ampliem de forma acelerada a oferta e também a procura de cursos a distâncias nos mais variados formatos e conteúdos.

No caso das escolas de Engenharia, o REENGE oportuniza a discussão e ações para a melhoria da qualidade dos cursos em todo país, e da integração destes com o setor produtivo. Neste sentido, o ensino a distância pode ser considerado uma alternativa para distribuir o conhecimento ainda localizado em alguns centros de excelência. O que se pretende descrever neste artigo é a contribuição que pode trazer para este processo o exemplo da experiência de ensino a distância do PPGEP da UFSC, com a realização de educação por satélite, por vídeo-aulas pré-formatadas, e por videoconferência.


Histórico

O Programa de Ensino a Distância do PPGEP nasceu do planejamento estratégico realizado pelo colegiado do Programa de Pós-Graduação de Engenharia da Produção da UFSC, em 1985, sob coordenação do professor Ricardo Miranda Barcia. A proposta, que consta do Projeto "Ensino a Distância para Treinamento de Mão-de-obra de Nível Superior", do Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas, tinha como objetivo geral "atender o plano governamental estipulado no Programa de Capacitação Tecnológica, no treinamento de recursos humanos, fomentando a interação Universidade/Empresa, de modo que a universidade contribua para a formação, atualização e especialização dos recursos humanos compatíveis com os novos tempos". (1992, p.8)

Dessa forma, o projeto original visava prioritariamente o aprimoramento da mão-de-obra de nível superior inserida diretamente no setor produtivo, em especial na indústria e, uma vez implementado o sistema, sua utilização para outras atividades, beneficiando-se da capacidade instalada disponível.

Após uma ampla pesquisa sobre as várias experiências em todo o mundo, o Projeto concluiu que já estavam maduras as condições para a implantação do ensino a distância no Brasil em algumas universidades de ponta que ajudariam a melhorar decisivamente a integração do meio acadêmico com o parque industrial brasileiro. Os fatores favoráveis para sua implantação seriam:

A qualificação de alguns cursos de pós-graduação em Engenharia no país, que atingiram um nível bastante satisfatório, estando atualizados em relação às recentes técnicas e metodologias disponíveis no exterior;

A necessidade da Universidade participar mais diretamente da solução de problemas sociais e econômicos da população;

O reduzido impacto dos atuais programas de mestrado e doutorado no país sobre o processo produtivo;

A dispersão geográfica de grande número de indústrias em relação aos pontos de localização das universidades aptas a oferecerem cursos de pós-graduação e de especialização atualizados e reconhecidos;

A experiência já acumulada por alguns cursos universitários de ponta no oferecimento de cursos de especialização "in loco".

O sistema interativo foi considerado o que teria mais sucesso em integrar a sala de aula tradicional com os recursos multimídia possibilitados pela inovação tecnológica. (Novaes, 1994) O meio "videoconferência" foi escolhido como a tecnologia básica para a Universidade Virtual do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC, pelo fato de permitir uma passagem gradual da sala de aula presencial para o ensino a distância.

Mas a perspectiva de considerar o uso de vários meios para o ensino a distância não foi descartada. Na verdade, como uma forma de utilizar os diversos recursos tecnológicos existentes e atender às diferentes demandas dos mais variados setores, o Programa de Pós-Graduação de Engenharia da Produção da UFSC tem direcionado o projeto de ensino a distância para quatro características básicas: auto-instrução e flexibilidade, ensino de longo alcance e interatividade.

Em 1995, foi criado no Programa o Laboratório de Ensino a Distância - LED, como instrumento de suporte pedagógico e tecnológico para a criação de formatos e produção de produtos pedagógicos para o ensino a distância, fazendo a interface dos professores do PPGEP com as novas demandas do mercado. Desde esse momento, o LED vem dando suporte para a realização de várias atividades de ensino a distância.


Auto-instrução e flexibilidade:a produção de vídeo-aulas

Em 1995, o PPGEP da UFSC produziu e distribuiu três cursos completos de Educação Continuada na área de Engenharia de Transportes, num total de 66 vídeo-aulas. O modelo de ensino a distância adotado foi o da tele-educação, com transmissão de vídeo-aulas por satélite, com recepção pelos usuários diretamente por antena parabólica. Os cursos foram captados diretamente nas empresas de transporte rodoviário de carga e de passageiros, num total de 1.280 organizações, com uma estimativa de cinco mil usuários nos escalões gerenciais. Os três cursos desenvolvidos pelo Programa, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte, foram os de Gestão de Frotas, sob responsabilidade dos professores Amir Mattar Valente, Eunice Passaglia e Antônio Galvão Novaes; Gestão da Qualidade e Produtividade, autoria do professor Edson Pacheco Paladini, e Sistemas de Informações Gerenciais, pelo professor Leonardo Ensslin.

O Laboratório de Ensino a Distância do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, coordenou as atividades de criação, adaptação pedagógica, produção e formatação final das vídeo-aulas e apostilas de suporte encaminhadas aos treinandos. Para orientar as atividades de aprendizagem dos alunos, o Laboratório preparou apostilas com os conteúdos formais relativos a cada uma das vídeo-aulas e produziu instrumentos de avaliação para preenchimento pelos alunos após assistir a cada vídeo-aula.

Em 1996, num convênio com o Instituto de Desenvolvimento da Qualidade da Confederação Nacional dos Transportes, foi contratado o desenvolvimento de 15 cursos de Educação Aberta para o segmento de transporte rodoviário de carga, também para produção em vídeo-aulas a serem transmitidas por satélite, após distribuição prévia de apostilas e instrumentos de acompanhamento. (veja quadro)

Educação a Distância* / Transporte Rodoviário de Cargas
01 - Estrutura de Custos no Transporte Rodov. de Cargas
02 - Desempenho de Veículos
03 - Just in Time para o Transporte de Cargas
04 - SIG para a Gestão da Qualidade e Produtividade
05 - Administração Estratégica
06 - Novas Tecnologias para o Transporte de Cargas
07 - Dispositivos de unitização de Carga
08 - A Informática nas Empresas de Transp. de Carga
09 - Multimodalidade
10 - Sistemas de Segurança e Monitoramento
11 - Logística em Empresas de Transp. de Cargas
12 - Produtividade do Veículo
13 - A Empresa de carga Rodoviária
14 - Empresa de Carga Rodov.: Negócios no Mercosul
15 - Empresa de carga Rodov.: Aspectos Adm. e Fin.
* Vídeo-aulas pré-formatadas, e transmitidas por sinal de satélite. Recepção pelos usuários nas empresas de transporte de cargas.

Nesta produção estão envolvidos 25 professores do PPGEP responsáveis pelo conteúdo, coordenados pelo professor Amir Mattar Valente, e uma equipe de 40 profissionais de televisão, pedagogos e psicólogos responsáveis pela transposição dos conteúdos para linguagem televisiva, atendendo à formatação estética e pedagógica desenvolvida pelo psicólogo João Vianney, responsável pelo Laboratório de Ensino a Distância.


Ensino a longa distância: a teleconferência

O Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção através do Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, também é responsável por dar suporte para as teleconferências com o objetivo de atender às programações de educação continuada, onde a informação está direcionada à atualização de um público-alvo que já detém informações específicas. A teleconferência consiste na geração via satélite da apresentação de expositores com a possibilidade de interação da audiência através de chamadas telefônicas e fax. A transmissão pode ser feita por sinal aberto ou codificado para recepção por antena parabólica ou emissora de sinal aberto. (Folder, s.d., p. 3)

A primeira teleconferência a nível nacional produzida pelo Laboratório de Ensino a Distância foi sobre o uso de novas tecnologias no ensino da engenharia, inaugurando o programa REENGE em transmissões por satélite. Realizada ao final de março de 1996, a teleconferência envolveu a UFSC e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte transmitindo a exposição e discussão sobre o REENGE dos professores Renato Carlson, diretor do Centro Tecnológico da UFSC, Ariovaldo Bolzan, vice-diretor do mesmo centro, Ricardo Barcia, coordenador do PPGEP, e Waldimir Pirró e Longo (FINEP), para mais de 140 faculdades de engenharia espalhadas por todo o país. (idem, p.3)

No segundo semestre de 1996, o LED está realizando o I Ciclo Catarinense de Teleconferências sobre Tecnologia e Educação, em parceria com a Secretaria da Educação e do Desporto do Estado de Santa Catarina. Como parte do programa de capacitação a distância de professores da rede pública, são dez teleconferências sobre temas relacionados ao impacto das inovações tecnológicas no ensino, transmitidas entre 02 de agosto e 01 de outubro. (conforme quadro)

Data Ensino a Distância / teleconferências*
02/ago Tecnologia & Educação
09/ago TV Escola e Capacitação de Professores
13/ago O Professor do Futuro
22/ago O Professor & Novas Formas de Comunicação
30/ago Do Quadro-Negro à Realidade Virtual
02/set O Uso Educacional do Computador
11/set Ensino a Distância e Produção de Conhecimento
18/set O Uso da Internet na Escola
27/set O Papel da TV na Sala de Aula
01/out Educação e Novas Tecnologias de Comunicação
* Transmissão aberta por satélite. Captação por antena parabólica.

Contando com a participação de dez conferencistas e mais de 20 debatedores, as teleconferências estão sendo transmitidas em canal aberto via satélite e captadas não só pelas escolas de Santa Catarina, mas de todo país que participam fazendo perguntas via telefone e fax.


Flexibilidade e interatividade: a rede de videoconferência

A videoconferência é adequada para instituições que queiram criar programas de formação de redes de ensino e pesquisa, e implantar processos de ensino a distância para atividades de formação e treinamento. O sistema escolhido integra periféricos projetados especialmente para auxiliar o professor na tarefa de ministrar aula, permitindo assim a completa interação aluno-professor.

Em março de 1996, os equipamentos de videoconferência para o ensino a distância começaram a ser instalados no Programa e a seguir, nas outras universidades do interior catarinense que fazem parte da Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia. São elas: UDESC em Florianópolis, FURB, em Blumenau, UNIVALI, em Itajaí, UNISUL, em Tubarão, UNOESC, em Chapecó, FEJ, em Joinville.

Ao todo, são oito salas interligadas ao mesmo tempo e de forma totalmente interativa, em áudio, vídeo e via Internet. Após um período de treinamento para os professores, sob orientação da professora Dulce Cruz, foram transmitidas aulas experimentais a partir da Sala de Aula Virtual no Programa de Pós-Graduação de Engenharia de Produção da UFSC para salas remotas em Blumenau, Tubarão e Joinville.

Apesar dos problemas relacionados à transmissão e custo das linhas telefônicas brasileiras, já é possível a realização de eventos com interação de som e imagem de qualidade entre diversos pontos do Brasil. Basta listar os vários testes de confiabilidade do sistema realizados pelo Laboratório de Ensino a Distância do PPGEP, durante o primeiro semestre de 1996.

Entre os meses de maio a julho, a videoconferência do PPGEP esteve presente em quatro eventos:

  • Propiciou uma interação de áudio e vídeo em tempo real entre o governador do Estado, em Blumenau, na sessão de abertura do Congresso Nacional de Informática 96 - CONINFO, e o reitor da UFSC, em Florianópolis;
  • Possibilitou o contato virtual entre os docentes do PPGEP e os participantes do Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino - ENDIPE realizado no Centro de Educação da UFSC;
  • Permitiu a interatividade na palestra entre o coordenador do PPGEP e o Secretário de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, professor Neri dos Santos, a partir da UFSC em interação com os participantes do Encontro Internacional de Ensino a Distância, realizado na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo;
  • E integrou o Campus da UFSC com o pavilhão de exposição da Fenasoft 96, na cidade de São Paulo, com a participação dos professores do PPGEP em Florianópolis, em interação com expositores da feira e visitantes ao estande da UFSC montado na Fenasoft.

O impacto do uso da videoconferência para a integração universidade-empresa no desenvolvimento científico e tecnológico pode ser exemplificado pelo projeto realizado em conjunto entre as equipes do Instituto de Eletrônica de Potência - INEP da UFSC e da Empresa Brasileira de Compressores - EMBRACO, com sede em Joinville (SC). O INEP participa na orientação do processo e no embasamento teórico e a Embraco desenvolve o produto, um conversor para acionamento de um motor de indução. Iniciado em julho de 1996 o projeto deve durar um ano. Na primeira reunião de discussão dos primeiros resultados, em agosto, foi realizada uma videoconferência interligando os equipamentos do Programa de Pós-Graduação de Engenharia de Produção, em Florianópolis com a sede da EMBRACO, em Joinville.

Esta primeira experiência da UFSC no uso da tecnologia de videoconferência mostrou-se eficaz para os objetivos propostos, e motivou o agendamento de seguidas interações. Isso porque as vantagens da videoconferência para a pesquisa acadêmica são inúmeras, segundo o coordenador do projeto INEP/EMBRACO na UFSC, professor Ivo Barbi. O uso da videoconferência tem uma série de aspectos favoráveis:

  • representa uma economia de tempo porque evita o deslocamento da instituição de pessoas altamente qualificadas e normalmente muito ocupadas;
  • representa uma economia de recursos, por não haver gastos com viagem, o que implica também em uma maior disponibilidade de horários na medida em que os equipamentos estão disponíveis e é mais fácil marcar uma reunião num estúdio do que viajar;
  • representa um recurso a mais para a pesquisa porque permite a gravação em fita de vídeo, como registro da reunião;
  • finalmente, a percepção da interface eletrônica praticamente desaparece depois de alguns minutos já que o manuseio do equipamento é fácil e de rápida aprendizagem.

Segundo o professor Barbi, o ideal seria que todas as empresas tivessem o equipamento, o que facilitaria bastante o contato entre os pesquisadores e o setor empresarial.

O projeto de ligação do PPGEP com o setor produtivo em termos de educação continuada a distância já está em andamento com a videoconferência. Exemplo disso é o contrato assinado para a transmissão de um curso do PPGEP para os engenheiros da unidade de produção industrial da Equitel instalada na cidade de Curitiba, no Paraná. As aulas que começaram em setembro estão sendo assistidas após o horário de trabalho, em uma sala especialmente preparada para isso, dentro da própria empresa.


Produção de conhecimento

A consequência desta integração universidade-empresa também gera resultados em aquisição e construção de conhecimento dentro da academia. Sob orientação dos professores do PPGEP, os alunos de mestrado e doutorado participam da criação e aplicação de modelos conceituais e a partir de casos reais onde o ensino a distância atua como fomento para o desenvolvimento científico e tecnológico. Assim, além de gerar produtos de comunicação para uso em educação, o Laboratório de Ensino a Distância funda-se também como um núcleo de produção de conhecimento, de pesquisas e de relatos acadêmicos sobre o tema, implicando em gerar novas oportunidades de atuação e de melhoria contínua da qualidade estética e pedagógica dos produtos que gera e aplica.


Conclusão

Os propósitos de integração universidade-empresa, e da formação de parcerias interuniversitárias para o desenvolvimento científico e tecnológico têm, no uso das tecnologias de educação a distância, um componente de impacto duplamente relevante. Otimiza os recursos intelectuais disponíveis, pois as novas tecnologias atuam como multiplicadoras do conhecimento e como facilitadoras do acesso ao saber. E introduzem como fator intrínseco ao seu uso um componente de modernização e atualização tecnológica nas universidades, no setor privado e outros agentes institucionais conveniados. Como consequência do uso da educação a distância pode-se identificar como resultados iniciais à qualificação de ambientes acadêmicos da Engenharia brasileira na elaboração de conteúdos, formatação, distribuição e acompanhamento da aplicação dos produtos de ensino a distância, e a mobilização do setor privado na busca de oportunidades de melhoria de performance a partir de programas de formação, especialização, atualização e requalificação da mão-de-obra com o uso de modernas tecnologias de comunicação aplicadas à educação.


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