A qualidade do ensino e sistemas de avaliação

O Exame Nacional de Cursos - ENC, o "Provão", foi instituído pela Lei 9.193 de 25/11/95. O objetivo principal é poder fazer uma avaliação dos cursos de graduação através da avaliação das habilidades e conhecimentos adquiridos pelos seus formandos. O processo deve fornecer subsídios para a tomada de decisões, planejamento e administração das instituições visando a melhoria de sua qualidade de ensino. A adoção do ENC já trouxe a necessidade de acelerar os processos de avaliação nas universidades.

Uma comissão instituída pelo Ministério da Educação emitiu um relatório que fixa alguns princípios orientadores dos exames. Em primeiro lugar, o processo deve considerar os diversos elementos da vida de uma instituição de ensino superior, a produção dos professores, a infra-estrutura da universidade, estrutura dos cursos etc.. O segundo princípio é o de respeitar a identidade institucional e a diversidade regional. O terceiro é o de tornar possível o acompanhamento da evolução das instituições.

Com esses objetivos foi definido o perfil desejado para os graduandos, O formando deve ter:

  • uma sólida formação básica, em primeiro lugar;
  • capacidade para enfrentar e solucionar problemas;
  • busca contínua de atualização e aperfeiçoamento;
  • capacidade de utilização da informática;
  • domínio das técnicas básicas de gerenciamento e administração dos recursos utilizados na profissão;
  • capacidade de trabalho em equipes multidisciplinares;
  • formação ético-profissional;
  • sensibilidade para as questões humanísticas, sociais e ambientais.

Tomando-se por base o aluno com esse perfil, a prova fará a avaliação de suas habilidades, tais como:

  • capacidade de raciocínio espacial;
  • capacidade de operacionalização de problemas numéricos;
  • capacidade de crítica em relação a conceitos de ordem de grandeza;
  • capacidade de expressão e interpretação gráfica;
  • capacidade de consolidação de conhecimentos teóricos e não de memorização;
  • capacidade de síntese, aliada à capacidade de compreensão e expressão em língua portuguesa;
  • capacidade de obtenção e sistematização de informações;
  • capacidade de construção de modelos matemáticos e físicos a partir de informações sistematizadas;
  • capacidade de análise e interpretação crítica dos modelos empregados nos estudos das questões de engenharia;
  • capacidade de formulação e avaliação de problemas de engenharia e de concepção de soluções;
  • capacidade de interpretação, elaboração e execução de projetos;
  • capacidade de gerenciamento e operação de sistemas de engenharia.

Quando se fala em qualidade de ensino, geralmente o professor é colocado fora do problema. Fala-se do aluno, da infraestrutura física da instituição, mas não do que é mais importante, a formação do professor.

O ensino com qualidade também deve ter resultados dentro da sala de aula. Deve dar a oportunidade da construção do conhecimento para todos os envolvidos no processo. Isso não é possível sem que haja uma forte interação entre professores e alunos, pesquisadores, funcionários e a comunidade em geral.

Hoje, nos departamentos, dificilmente se discute a questão do ensino. Insiste-se em manter o arcaico repasse de conhecimento, quando se deveria conduzir o processo cognitivo, trabalhar com o aluno na construção do conhecimento.

Os alunos chegam às universidades com 16, 17 anos carregados com tal quantidade de informações que as gerações anteriores sequer sonhavam ter. Portanto, temos que modificar a forma de comunicação com os alunos. De fundamental importância é ensinar o aluno a aprender, possibilitar que ele tenha capacidade para usufruir de todos os recursos ao seu alcance, como informações, computadores, softwares etc..

Há uma grande preocupação com relação aos recursos das instituições. É claro que o arsenal tecnológico posto à disposição dos alunos é importante, mas vale pouco sem o processo cognitivo. A formação dos professores também tem que ser mais importante que a preparação das ferramentas didáticas.

O professor normalmente acha que, por saber tratar das questões técnicas, o conhecimento restante vem por decorrência. Isso não é verdade. É preciso associar o conhecimento técnico a conhecimentos gerais e específicos. É preciso saber o que fazer na sala de aula para que o aluno seja mais criativo.

A busca da qualidade também exige uma revisão nas formas de avaliação. O importante é uma utilização mais racional dos tempos de construção de conhecimento, das perturbações que o professor, enquanto orientador do processo ensino-aprendizagem, deverá imprimir para motivar os alunos a buscarem novos conhecimentos. Deverá também ter a capacidade de perceber o nível cultural com que o aluno chega à sala de aula, visando construir com ele o conhecimento a partir dali e não a partir de um utópico nível predeterminado unilateralmente.

Leia o artigo de Marcos José Tozzi.

Leia o artigo de Walter Antonio Bazzo.


Os conferencistas

Marcos José Tozzi, Walter Antonio Bazzo, Afonso Carlos Corrêa Fleury, Douglas Eduardo Zampieri, Ernesto da Silva Pitombeira, Marcel Mendes, Paulo Blikstein, Paulo Gabriel Ferreira Lage e Paulo Renato de Souza

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