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Estrutura curricular e propostas inovadorasPrimeiramente, precisamos saber se estamos formando bem os engenheiros de hoje, se possibilitamos o desenvolvimento da criatividade e a prática do engenheiro empreendedor e se nossos docentes podem oferecer essas condições aos alunos. Qual o papel da estrutura curricular na formação do engenheiro? Basicamente deve fornecer um conjunto de condições que permita resolver problemas da sociedade. Deve propiciar o conhecimento das ciências, da tecnologia, das questões de segurança e qualidade, políticas de transformação e legislação, normalização, ações ambientais, cultura geral, administração e gerenciamento. Temos uma legislação que rege a estrutura curricular. O currículo mínimo para as carreiras de engenharia entrou em funcionamento em 76, portanto, tem vinte anos e estabelece as habilitações: civil, mecânica, elétrica, metalurgia, minas e química. Em 94 foi criada a sétima área, denominada engenharia ambiental. Para todas elas foram definidas matérias de formação básica, geral e profissional. Muitas das questões colocadas há vinte anos somente a partir do final dos anos 80 passaram a receber atenção mais ampla. A Universidade Federal de São Carlos - UFSCar - iniciou suas atividades há 25 anos com grande enfoque tecnológico, provocando uma transformação na cidade com um surto de desenvolvimento industrial. O primeiro curso de Engenharia foi o de engenharia de materiais, que hoje é padrão de referência na área. Nos últimos anos foram implantados os cursos de engenharia de produção agroindustrial e engenharia de computação. Atualmente se estuda a implantação de engenharia ambiental. O processo de urbanização acelerada no país, assim como a busca por qualidade, gerou novas realidades para serem estudadas, tanto pelas escolas de engenharia como pelas empresas e órgãos públicos. A demanda crescente por habitação, redes de água, redes de esgotos, drenagem pluvial, limpeza urbana, pavimentação, transporte, escolas, creches, centros comunitários, postos de saúde, entre outros serviços, exige uma visão sistêmica por parte dos profissionais envolvidos. O engenheiro do futuro não pode furtar-se de seu papel técnico e de visão ampla do processo urbano. A formação de um profissional com essa visão crítica e holística será diferenciada no final do século, uma vez que tais problemas tendem a crescer. Dezoito profissionais de diversas especialidades, de universidades e do setor industrial, estiveram reunidos em torno da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP para formatar proposta de um novo curso para formação do engenheiro de concepção. Primeiro foi preciso considerar como seria o profissional do futuro, enfrentando um mercado de trabalho de intensa mudança e também o papel do Brasil na globalização. Depois, foi preciso pensar em como formar esse profissional. O que ensinar? O que não vai se tornar obsoleto em pouco tempo, ou seja, coisas perenes, não modismos. Outra questão é a da metodologia de trabalho para propor um novo currículo. O entendimento é a parte fundamental no ensino-aprendizagem. O conhecimento pode ser assimilado quase que instantaneamente, enquanto habilidade e entendimento consomem tempo para ser adquiridos. O melhor rendimento dos cursos de engenharia é obtido reduzindo-se a quantidade de informação a ser memorizada , concentrando-se o currículo na transferência dos conceitos básicos e à prática das habilidades necessárias ao engenheiro. Em geral, estudamos muita coisa que serve para nada, fazemos muitos trabalhos que não contribuem para o desenvolvimento. O novo programa propõe a divisão do conteúdo em duas grandes vertentes: uma com os princípios fundamentais, outra com os elementos de integração curricular. O núcleo fundamental de disciplinas deve enfatizar os princípios básicos que vão garantir a sobrevivência do profissional. Todos eles, por exemplo, vão precisar muito de computação. Assim, uma sólida e ampla formação nos princípios físicos, por um lado, e na linguagem matemática que os descrevem, por outro, torna-se um imperativo de primeira ordem. Não pode haver muitas disciplinas por semestre para que o aluno possa concentrar mais sua atenção no fundamental. Também não se deve trabalhar com o conceito de "taylorização" curricular, em que cada disciplina não tem relação com as outras. Cada disciplina deve fazer parte de um conjunto coeso. O número de aulas presenciais deve ser mais baixo. O ideal é contar com uma infraestrutura mínima, com bibliotecas, videotecas, multimídia etc.. O uso tradicional dos laboratórios também precisa ser revisto. A estrutura departamental também precisa mudar. O professor hoje ligado ao departamento precisa estar ligado ao curso e discutir com os seus pares. A direção do curso deve ser colegiada. Deve haver vínculo com a iniciativa privada, que também deve integrar o conselho consultivo.
João Sergio Cordeiro, José Tomaz Vieira Pereira e Maria José Gazzi Sallum
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