O futuro da engenharia e o engenheiro do futuro

A empresa do futuro vai se tornar cada vez mais planetária internacionalizando-se intensamente. Usamos o termo planetário e não globalização. A engenharia deve estar ligada a particularidades locais e regionais, embora as soluções e atendimentos possam vir de qualquer parte.

Isso significa que deverá tornar-se cada vez mais competitiva no âmbito internacional. É possível, portanto, prever grandes dificuldades para o Brasil e é preciso preparar-se para superá-las.

Pode-se afirmar que o Brasil, por razões históricas, é um país socialmente não competitivo. Investimentos em educação insuficientes, baixa qualidade do ensino, pouca produtividade, pouca competitividade e, na outra ponta, o profissional desatualizado que não teve acesso à evolução em processo em outros países.

O principal desafio é a superação do atraso. Num ambiente de desenvolvimento em tempo real, o acesso às informações e às facilidades tecnológicas são essenciais. Esse acesso deverá se dar por meio de bancos de tecnologia e laboratórios virtuais. A informatização, portanto, é condição sine qua non para a competitividade.

Para o futuro há algumas condições que são imprescindíveis, como aperfeiçoamento e atualização por meio da educação continuada; disponibilização de cursos de especialização na própria área de trabalho, ou seja, receber os cursos just in time; acesso a cursos por meio de todos os recursos, como a Internet, TV a cabo, parabólicas.

O novo engenheiro deve estar preparado para atuar em vários setores em que a mudança seja a regra. Para isso, será preciso transformações significativas não só no ensino da engenharia. É preciso que em todos os níveis se tenha um ensino mais eficiente e que haja um efetivo controle da qualidade do ensino.

Quanto ao ensino de engenharia, deve ser repensado para atender às novas exigências. Quatro anos de formação básica podem servir de âncora para o conhecimento técnico. Bastante sólida, deve dar ao aluno os conhecimentos necessários de economia, administração, artes, psicologia, enfatizando a matemática contínua e discreta, os fenômenos químicos, físico- químicos, físicos e instrumentação.

A educação continuada e a reciclagem devem ser parte inseparável da vida profissional e não uma exceção como ocorre hoje. Deve fazer parte eficiente da produção industrial de uma empresa e, por isso, ser prevista nos ambientes de trabalho.

Só assim, tendo uma visão ampla do mundo, com capacidade de adaptação às mudanças, o profissional poderá atuar com competitividade e enfrentar o desafio da "infoera", sem se tornar obsoleto, antes mesmo de se graduar.

Quando pensamos no futuro, o que nos vem à cabeça de imediato é a palavra mudança. As pessoas resistem às mudanças e estas estão ocorrendo a uma velocidade maior do que a capacidade das pessoas se adaptarem. Fica-se com a sensação de estar a correr atrás.

Esses são os desafios do futuro. As pessoas cada vez mais conscientes de seus direitos e do próprio valor; o acesso a informações aumentando o poder individual; alterações radicais nos processos educacionais; novos tipos de trabalho, profissões, especializações; crescente preocupação com conservação ambiental; consumidores cada vez mais exigentes; maior número de concorrentes; competição por talentos.

Na transição que estamos vivendo, os papéis do governo e da iniciativa privada estão em transformação. Enquanto o governo abandona atividades de produção, a iniciativa privada se defronta com novos paradigmas, ditados pela geopolítica, pelo avanço tecnológico e pela dualidade entre o racionalismo do passado e o holismo do presente.

Os engenheiros do passado tinham perfis diferentes direcionados para a iniciativa privada ou para o governo. Agora são outras premissas que orientam a engenharia. O princípio da obra a qualquer preço para atingir o objetivo desejado é substituído pelo da obra imprescindível só com retorno econômico.

A globalização e a regionalização são outras megatendências. Todos os empreendimentos têm que ser analisados por esse prisma. O fator competência, portanto, torna-se vital.

Para atuar nesse universo altamente competitivo, é preciso recuperar o atraso na área da tecnologia, posto que a qualidade dos materiais, a informação e a gestão serão os elementos diferenciadores.

As empresas necessitarão maximizar o uso dos materiais, máquinas, equipamentos e processos, bem como o uso das inovações tecnológicas. Deverão estar preocupadas com a adequação e rapidez dos projetos e obras, suplantando as expectativas dos clientes. Além disso, devem incluir os programas de educação continuada e manter forte relação com as universidades, a fim de suprir as carências.

Com relação ao engenheiro, deverá adicionar à formação tecnoteórica outros requisitos como conhecimento de máquinas, equipamentos, processos, montagem e conhecimento mínimo das práticas que vai exercer. Além da formação técnica, deve adquirir outros e variados conhecimentos, como gestão de negócios, psicologia, meio ambiente, línguas, informática. Deve ter alta capacidade de adequação às mudanças.

Leia o artigo de João Antonio Zuffo.

Leia o artigo de Sinval Zaidan Gama.


Os conferencistas

João Antonio Zuffo e Sinval Zaidan Gama

Veja um perfil de João Antonio Zuffo.

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