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O futuro da engenharia e o engenheiro do futuro O Futuro da Engenharia e o Engenheiro do FuturoSinval Zaidan
Gama
Ao pensarmos em futuro o que nos vem à mente de imediato é a palavra mudança. Os diversos segmentos têm sido levados, ao longo do tempo, a repensar suas situações face às mudanças que vêm ocorrendo. A particularidade do momento atual é que a velocidade das mudanças vem sendo superior à das respostas dos segmentos, caracterizando o "espírito do correr atrás", ou mesmo de adequar sempre o cenário ocorrido ao previsto. As empresas que têm forte vínculo com a engenharia e os seus profissionais engenheiros vêm buscando alternativas para minimizar este diferencial. A abordagem da análise da ambiência, requisitos demandados e estratégia de ação formam um triângulo que tem, no seu centro de importância, o Futuro da Engenharia e o Engenheiro do Futuro.
Macro tendências
Há, hoje em dia, uma tendência na Europa, Japão e América Latina para o afastamento dos governos da atividade empresarial, com a iniciativa privada assumindo, cada vez mais, estas funções, mas com abordagem diferente daquelas. Os executivos, em parte engenheiros, e os engenheiros que executam os processos foram formados em escola em que trabalhar para o governo era diferente de trabalhar para a iniciativa privada. Portanto, faz-se necessária uma adequação à nova realidade em que, além de colocar toda sua experiência acima do bipolarismo, deve-se tentar convergir para os aspectos positivos das duas abordagens, tentando gerenciar as mudanças de pontos contraditórios. A obra a qualquer preço para atingir o objetivo desejado versus a obra imprescindível só se tiver retorno econômico, também é mais um desafio da ação do engenheiro.
A globalização em curso da economia é fator de impacto nas empresas. A volatilidade dos capitais na busca de maior retorno e menor risco, fazem com que os empreendimentos tenham análise abrangente. Um empreendimento em uma região é analisado comparativamente a outros e aquele em que os resultados forem mais competitivos, na relação retorno x risco, certamente será priorizado, fazendo com que se busque uma visão global das fronteiras. A equação de resultados se transformou da definição do preço a partir dos custos adicionado ao lucro pretendido para aquela onde o lucro é resultante do preço ofertado menos os custos incorridos. Este é mais um grande desafio para a empresa e engenheiros.
A formação de blocos econômicos e a diminuição das alturas das barreiras entre regiões, países ou continentes é um fato. A possibilidade de empresas e engenheiros brasileiros atuarem nos países do Mercosul tem relação idêntica com os estrangeiros que vierem a exercer suas atividades no Brasil. O fator diferenciador além da disponibilidade de mercado, certamente será a competência. Outro ponto de foco é o Projeto de Reestruturação dos Países Africanos de Língua Portuguesa, já em desenvolvimento, que abre, pela facilidade de idioma e cultura, grandes possibilidades de parceiros.
Os executivos das empresas e profissionais de engenharia, durante muito tempo, foram formados com premissas exclusivas da abordagem do racionalismo. O uso apenas de fatos e dados, equações com soluções previsíveis e racionalismo, foram constantes na vida do profissional da área tecnológica, o que levou ao desenvolvimento do hemisfério esquerdo do cérebro, em detrimento do direito. Nesta formação não se podia esperar que estes profissionais adicionassem à sua competência a visão humana, de negócios, de arte, etc. As novas gerações certamente não terão este vício de formação, independente da nossa vontade, até porque os joystiscks, os games, a interatividade e a inclusão já são uma realidade.
O avanço tecnológico será fortemente abordado ao longo das diversas palestras deste ciclo de debates. A tecnologia dos materiais, da informação e da gestão cada vez mais será um fator diferenciador. A transformação tecnológica, inclusive, influencia muito mais os aspectos anteriores, do que é por eles influenciada.
Tendo em vista estas macro-tendências, o planejamento das empresas, especialmente aquelas que têm longo prazo de maturação deverão, através de uma administração estratégica, estabelecer macro-fatores de monitoramento, dos quais listamos alguns de importância:
A busca de vencer estes desafios, tem levado a demandas que necessitam ser contempladas, tais como:
A principal estratégia para vencer o desafio de contemplar as demandas requeridas é o estabelecimento de forte aproximação universidade/empresa, através de parcerias e cooperação mútua, e o uso freqüente de fóruns de troca de experiência e informação de necessidades. O caso particular do Setor Elétrico Brasileiro demonstra o longo caminho a percorrer. Já no final da década de 70, quando da execução do Plano 2000 - Nacional de Energia Elétrica, elaborado pela Eletrobrás, verificou-se que a evolução tecnológica, as exigências da sociedade e a velocidade das mudanças, sinalizavam a necessidade de aprofundamento dos futuros quadros do Setor Elétrico. Não houve, naquela ocasião, nem mesmo depois, forte interação setor x universidades, provocando os vazios a posterior. Pesquisa realizada em 1990 em 46 instituições de ensino de engenharia nos campos de engenharia civil, elétrica, eletrônica e mecânica mostrava uma queda acentuada na formação de engenheiros.
O quadro evidencia uma clara crise, podendo-se acrescentar que o estudante, na escolha da profissão, leva em conta, entre outras coisas, as tendências de mercado, verificando se uma profissão é mais promissora que outra. Até o momento, parte das empresas não sinalizaram claramente suas necessidades. Com o horizonte atualizado através do Plano 2015, temos o seguinte quadro:
Com este objetivo, a Eletrobrás elaborou projeto, ainda em fase de consolidação de parcerias, para o estabelecimento das proficiências humanas estratégicas para o setor elétrico, que visa delinear o conjunto de competências, habilidades e conhecimentos necessários para o profissional do setor. Além do desenvolvimento deste projeto será dada continuidade às parcerias hoje já existentes de:
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