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A nova engenharia e o ensino de engenharia no BrasilOs grandes desafios de hoje estão relacionados com as transformações sociais ocasionadas pela velocidade com que têm sido gerados os novos conhecimentos. As demandas da sociedade moderna são atendidas por tecnologias resultantes da aplicação do conhecimento científico, que deixou de ser um bem cultural para tornar-se insumo para o sucesso econômico. Mais de 80% dos conhecimentos científicos e tecnológicos foram gerados após a segunda guerra mundial e têm-se duplicado a cada dez/quinze anos. A continuar tal dinâmica, dentro de dez anos, 50% dos objetos que estaremos utilizando ainda não foram sequer inventados. As mudanças ocorrem rapidamente afetando o homem, o meio ambiente e as instituições sociais. A introdução de novas tecnologias quase sempre é uma decisão do setor produtivo, não discutido e não planejado pela sociedade. A geração de tecnologias de base científica exige grande acúmulo de capital para investimentos em pesquisa e desenvolvimento, envolvimento de cérebros com competência e amplo espectro de conhecimentos e capacidade gerencial para produzir novos bens e serviços de qualidade. O resultado tem sido a concentração do poder em todos os níveis. Diante da competição estabelecida, torna-se fundamental o tempo em que as nações, através do conjunto das suas instituições, as universidades e as empresas, sejam capazes de transformar uma invenção numa inovação. Essa capacidade de transformar invenções em produtos a curtíssimo prazo pode explicar o sucesso de algumas empresas e de países como o Japão. Os EUA investem cerca de metade dos recursos mundiais para pesquisa e desenvolvimento, possuem a maior infra-estrutura universitária, científica e tecnológica do planeta e já receberam mais de duzentos Prêmios Nobel. Em contrapartida, o Japão pouco tem contribuído para o avanço científico e recebeu apenas seis Nobel. Como explicar o sucesso japonês na era da tecnologia de base científica? Evidentemente, existem muitos fatores envolvidos: psicossociais, econômicos e políticos que não serão analisados. Tecnicamente, porém, a explicação está na engenharia, que é o que transforma os inventos em bens de serviço, ou seja, em inovações. A capacidade de "engenheirar" concepções próprias ou de outros, primeiro, melhor e mais barato que os concorrentes, é fundamental. O crescimento desordenado do número de escolas de engenharia no Brasil dos anos 60 e 70 não foi acompanhado pela elevação do nível técnico e da capacidade dos engenheiros de adaptar-se às novas condições do mercado de trabalho. O novo cenário, em que não há mais proteção à indústria do país, requer uma nova política industrial, que já está se delineando. As ações de fomento, por exemplo, favorecem a restruturação competitiva e a capacitação tecnológica e há uma indução à especialização da produção e à competição internacional. Nesse contexto, impõe-se uma nova concepção de empresa, pequenas e diversificadas, voltadas a mercados pequenos e diversificados, com emprego de tecnologias sofisticadas. Deve haver tempo extremamente curto entre as idéias e a execução, a mão-de-obra deve ter alto nível de especialização e deve existir forte vínculo com a universidade. Para enfrentar essa nova realidade, é preciso repensar e promover reformas radicais nas políticas públicas educacionais, na forma e no conteúdo da educação tecnológica, em todos os níveis. Na formação no nível médio: atuar fortemente na educação para ciências, no âmbito da escola secundária; aproximar as universidades da formação de técnicos de nível médio; estimular a participação das universidades na formação de professores para os cursos técnicos; promover a criação de centros para a geração de matérias e metodologias empregadas na educação para ciências. Na formação superior: modificações profundas no processo pedagógico, deslocando-se do eixo professor-aluno para o ensino participativo e para a auto aprendizagem; aproximação intensa com a pós-graduação e com a atividade científica; aproximação com o setor produtivo e formação de parques tecnológicos e de incubadoras de empresas; reordenação da estrutura curricular com flexibilização na forma e no conteúdo e estímulo à formação científica, cidadã e interdisciplinar; reorganização dos diplomas e flexibilização para novas áreas.
Waldimir Pirró e Longo |
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