ENGENHEIRO 2001 - RETROSPECTIVA:
UM RESUMO DO QUE ROLOU NAS TELES
Reforma da educação e do pensamento: complexidade e transdisciplinaridade
Conferencista
Basarab Nicolescu - Prof. Dr. Presidente do CIRET-
Centre International de Recherches et Etudes Transdisciplinaires e Professor da Université Pierre e Marie Curie/Paris

" A disciplinaridade, a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são as quatro flechas de um único e mesmo arco: o do conhecimento."

" Um aspecto primordial da evolução transdisciplinar da educação diz respeito à capacidade de reconhecer-se a si próprio na imagem do outro. Trata-se de um aprendizado permanente, que deve começar na mais tenra infância e prosseguir ao longo de toda a vida."

"A chave da transdisciplinaridade é questionar, questionar, questionar. A questão é questionar aquilo que serve para mim, para o outro, para a sociedade"

Debatedores

Marcelo Knörich Zuffo - Prof. Dr. da Escola Politécnica da USP.

Ubiratan D'Ambrosio - Matemático, Professor Emérito da UNICAMP

Principais idéias
  • Pluridisciplinaridade: estudo de um objeto de uma única e mesma disciplina, efetuado por diversas disciplinas ao mesmo tempo;
  • Interdisciplinaridade: transferência dos métodos de uma disciplina para outra, mas sua finalidade também está inscrita na pesquisa disciplinar;
  • Transdiciplinaridade; envolve aquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de toda e qualquer disciplina. Sua finalidade é oferecer um caminho para a unificação dos saberes.

Os quatro pilares da educação transdisciplinar

  • Aprender a conhecer: ser capaz de estabelecer pontes entre os diferentes saberes, entre tais saberes e sua significação para a vida cotidiana e ainda entre tais saberes e significações e as capacidades interiores de cada um. Este procedimento transdisciplinar constitui complemento indispensável ao procedimento disciplinar pois conduzirá à formação de um ser constantemente atento, capaz de adaptar-se às mutáveis exigências da vida profissional e dotado de uma flexibilidade permanente, orientada para a atualização de suas potencialidades interiores.
  • Aprender a fazer: dentro do espírito da transdisplinaridade significa escolher uma profissão, adquirir os conhecimentos e técnicas a ela associados e exercer essa profissão com criatividade. Fazer significa também fazer coisas novas, criar, pôr em dia as potencialidades criativas.
  • Aprender a conviver: acatar as normas que regem as relações entre os membros de uma coletividade, que devem ser verdadeiramente compreendidas e intimamente aceitas pelas pessoas e não apenas obedecidas como uma lei imposta exteriormente.
  • Aprender a ser: cada um deve descobrir os seus condicionamentos, a harmonia ou a desarmonia entre a vida interior e social, sondar os fundamentos das suas convicções, para descobrir o que existe de subjacente.

 

As novas realidades e os desafios da educação tecnológica superior
Conferencista

Richard Larson

Prof. Dr. Diretor do CAES-

Centro para Serviços Educacionais Avançados do MIT -Instituto de Tecnologia de Massachusetts

" O recurso mais importante de um País está enterrado entre as orelhas do cidadão."

" Qual a diferença entre o quadro negro e as pintura pré-históricas feitas há milhares de anos?

É a invenção do apagador."

"Hoje, a tecnologia primária para ensinar e aprender é o quadro negro e o giz."

"Todo mundo é um aluno e um professor."

" A única certeza do futuro é a incerteza."

Debatedor

Waldimir Pirró e Longo- Prof. Dr. da Universidade Federal Fluminense

Principais idéias

  • Ao invés de ensinar, aprender;
  • Ao invés de professor, parceiro de aprendizagem;
  • Ao invés de aluno, um ativo buscador de conhecimento;
  • Fim do ensino tradicional, que impõe a cada indivíduo um único ritmo e um único percurso;
  • Nascimento de um novo ensino, tecnológico, onde as aptidões e virtudes individuais são valorizadas;
  • Em lugar de material didático, uma meta;
  • Em lugar da sala de aula, redes globais de aprendizado;
  • Utilização dos novos meios digitais de comunicação para a construção do conhecimento e da pesquisa em nível global;
  • Interligação de comunidades internas e externas ao campus, reunindo informações pulverizadas e democratizando saberes;
  • Aprendizagem ao longo da vida : a aprendizagem não termina aos 18, 30 ou 50 anos;
  • É preciso Aprender a Aprender porque as tecnologias mudam rapidamente a cada 10 anos;
  • Aprender para a vida;
  • É preciso desenvolver estruturas para apoiar a aprendizagem ao longo da vida de uma pessoa.

 

Renovação pedagógica na engenharia e a formação dos formadores dos engenheiros

Conferencista

Walter Bazzo-
Prof. Dr. do Centro Tecnológico da UFSC

" Nossas escolas são excelentes, estão no mesmo nível — muitas vezes acima — das escolas em todo o mundo. Precisamos apenas desenvolver a questão pedagógica."

" É preciso incomodar, desestabilizar, provocar e motivar o aluno, para que desenvolva a curiosidade, a iniciativa, o senso crítico e a criatividade."

"Existe um pacto: professor diz que ensina, aluno diz que aprende."

 

Debatedores

Marcos Tarciso Masetto- Prof. Dr. Faculdade de Educação da USP e PUC-SP .

Antonio Carlos Bragança Pinheiro - Prof. Dr. Diretor da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie.

Principais idéias

  • O principal desafio é, além de engenheiros, formar cidadãos;
  • O ensino atualmente está calcado em conhecimentos já elaborados;
  • Trocar o repasse de conhecimento pela construção do conhecimento;
  • Contradição interna da educação em engenharia nas universidades brasileiras: um corpo docente de espírito conservador, preso a vícios culturais da universidade, onde o aluno é o menos importante — valem mais as pesquisas, as atividades acadêmicas e a carreira profissional do que o investimento didático;
  • É esquecido que o desenvolvimento das relações pessoais exige um conhecimento pedagógico diverso do arcabouço técnico dos engenheiros;
  • Os alunos trazem uma cultura que valoriza muito mais o conhecimento prático do que aprender a conhecer, o processo real de aprendizagem e a construção do conhecimento;
  • É preciso um vínculo entre universidade e sociedade. Não se pode pensar em educação sem pensar na sociedade usufruindo desta educação;
  • Precisamos de engenheiros que tenham capacitação para trabalhar em qualquer competência. Engenheiros que saibam resolver problemas e engenheiros que saibam identificar problemas;
  • Para mudar, temos que apostar nos formadores de engenheiros e nos formadores dos formadores dos engenheiros;
  • Os formadores de engenheiros e os formadores dos formadores devem buscar informações em outras áreas como psicologia, sociologia, pedagogia etc.

 

As novas realidades e os desafios da educação tecnológica superior

Conferencista

Lucio França Teles
Prof. Dr. Diretor de

Programa do Centro para a Educação a Distância da Universidade Simon Fraser, Canadá
.

Princípios de design educacional de qualidade

  • Estrutura clara e bem definida em áreas e quais funções de cada área;
  • Definir em qual teoria de aprendizagem se apóia o design do curso: behaviorismo, construtivismo, cognitivismo;
  • Ter poucas áreas online é geralmente mais funcional do que ter muitas. Facilita a navegação e o claro entendimento de "para onde devo enviar esta mensagem?";
  • Design é para apoiar o trabalho de grupo e facilitar interação educativa e formas informais de interação;
  • Utilizar recursos da Web e desenhar ambientes para não mais que 30/40 pessoas por grupo. Um curso com 80 estudantes pode ser subdivididos em dois grupos de 40;

  • Teste e revisões.
Principais idéias

Fatores a serem considerados no design de ambientes colaborativos

  • Uso de tarefas de grupo;
  • Ferramentas e artefatos;
  • Navegação: o fator banda larga;
  • Texto: dinâmico e integrado com outras mídias.

Elementos constantes do design

  • Uso de groupware: definição de tipos de grupo, privilégios, acesso;
  • Objetivos de aprendizagem para cada unidade: individual e de grupo;
  • Descrição de como alcançar objetivos de aprendizagem;
  • Avaliação do estudante (formativa e cumulativa);
  • Código de conduta;
  • Bom humor;
  • Modelo de aprendizagem ativa.

 

Principais diferenças entre o ensino tradicional
e em ambiente Web

Ambientes colaborativos

Sala de aula presencial

Horário: 24 horas por dia, 7 dias p/semana

Horário: horários determinados

Localização: Ciberespaço (URL: http://)

Localização geográfica definida

Instrutor: tem interação ativa com estudantes

Instrutor: ministra palestras e apresenta informação

Estudantes: participam e desempenham tarefas

Estudantes: escutam e assimilam

Conteúdo: parcialmente gerado online

Conteúdo: pré-definido

Resultados: capacidade de tentar atuar como especialista

Resultados: capacidade de aproximar-se da especialização

 

Debatedores

Romero Tori - Prof. Dr. da Escola Politécnica da USP.

Alexander Joseph Romiszowski - Prof. Dr. da Universidade de Syracuse

 

 

Desenvolvimento do novo currículo e avaliação da aprendizagem:
o que os alunos estão aprendendo?

Conferencista

Otto Rompelman Prof. Dr. da Universidade de Tecnologia Delft (Holanda)

e coordenador do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento de Currículo da SEFI - Sociedade Européia para a Educação em Engenharia

Visão tradicional do ensino da engenharia

"Após 4 ou 5 anos de estudo, o jovem diplomado reúne conhecimentos e habilidades suficientes para iniciar uma carreira profissional no campo de sua especialização"

Visão atual do ensino da engenharia:

"Após 4 ou 5 anos de estudo, o jovem diplomado está suficientemente equipado para desenvolver-se em um ambiente em permanente mudança"

Debatedores

Paulo Helene - Prof. Dr. Gerente de Ensino de Graduação da Escola Politécnica da USP.

Nelson Maculan - Prof. Dr. da COPPE - Instituto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ.

Principais idéias

  • Os requisitos que um bom engenheiro deve preencher provêm de diversas fontes: universidades (estudantes, professores), empregadores de engenheiros e da sociedade.
  • A responsabilidade final pela formulação dos objetivos educacionais cabe às próprias universidades.

Três elementos-chave no ensino da engenharia

  • Conhecimento: informações que foram memorizadas ou que podem ser rapidamente recuperadas;
  • Habilidades: capacidade de fazer coisas (quase sempre de maneira automática ou estruturada);
  • Compreensão: capacidade de entender conceitos abstratos, tais como os que podem servir para explicar, projetar e contribuir para o avanço da pesquisa.

Características dos ‘modernos’ diplomados

  • Habilidade em aplicar o conhecimento matemático;
  • Habilidade em projetar e realizar experiências, bem como para analisar e interpretar dados;
  • Habilidade em projetar um sistema, componente, ou processo para satisfazer determinadas necessidades;
  • Habilidade para atuar em equipes multidisciplinares;
  • Habilidade em identificar, formular e resolver problemas de engenharia.

Cultura do teste

Cultura da Avaliação

Padronizado

Diversificado/individualizado

Controlado

Autêntico

Medido por Especialistas

Julgamento coletivo

Medidas quantitativas

Descrição qualitativa

Métodos restritos

Gama de Métodos

 

pág. anterior pág. inicial pág. seguinte