TELECONFERÊNCIA WALTER BAZZO
O professor Bazzo vive intensamente o ensino de engenharia. Suas reflexões sobre a educação e a formação dos formadores de engenheiros já contam agora mais de uma década e percorreram uma trajetória típica das idéias pioneiras. "Há dez anos atrás", relembra, "achavam que eu era maluco por propor uma reflexão crítica sobre a educação dos engenheiros. Hoje, já vêem a questão de uma forma bastante diferente. Há universidades, como a PUC do Rio de Janeiro, por exemplo, que estão iniciando programas de pós-graduação focados na formação de educadores em engenharia".

Para Walter Bazzo, a questão fundamental reside na compreensão de que ser engenheiro é muito diferente de ser professor. O papel deste último não é simplesmente "repassar" conhecimentos técnicos, como alguém que transfere um bastão numa corrida de revezamento, mas ajudar os alunos a entender o que é construir conhecimento e incorporar o sentido daquilo que é ser um engenheiro: alguém capaz de analisar contextos, identificar problemas e desenvolver soluções. "Na UFSC, nossos alunos são convidados, já no primeiro dia de aula, a localizar em seu cotidiano problemas que possam ser enfrentados. Desenvolvemos propostas relacionadas diretamente com a qualidade de vida, como uma roleta de ônibus mais funcional ou um novo sistema de recolhimento do lixo. Isso é a essência da engenharia. E, num país como o nosso, com tantas dificuldades, é loucura dizer que não há trabalho para engenheiros", explica o professor.

Para desenvolver nos estudantes o sentido deste papel social da engenharia e o compromisso com a realidade, Bazzo considera que a grande questão é a formação dos formadores dos engenheiros e argumenta: "Nossas escolas são excelentes, estão no mesmo nível - muitas vezes acima - das escolas em todo o mundo. Precisamos apenas desenvolver a questão pedagógica. É preciso incomodar, desestabilizar, provocar e motivar o aluno, para que desenvolva a curiosidade, a iniciativa, o senso crítico e a criatividade."

As posições de Bazzo encontraram eco nas participações dos professores Marcos Masetto e Antonio Carlos Bragança Pinheiro. O primeiro, trazendo as reflexões da área da educação; o segundo, a experiência da universidade privada. O Prof. Masetto, que há anos vem realizando um trabalho de educação pedagógica junto à Poli-USP, mostrou o quanto temos a ganhar com a aproximação e a colaboração entre educadores e técnicos, o quanto o trabalho de formação profissional é enriquecido, se conduzido com a consciência da construção do conhecimento. Já o Prof. Antonio Carlos narrou a experiência que tem vivido na reforma da estrutura dos cursos de engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das primeiras e mais tradicionais do país, onde as transformações do curso vieram por determinação da própria instituição.

As reformas no ensino da engenharia não estariam na pauta das mais importantes escolas do país se não houvesse uma pressão da realidade neste sentido. As rápidas transformações tecnológicas, a impossibilidade de resolver nossas dificuldades através da adoção de procedimentos importados - criados para outros contextos - a desmotivação dos alunos (estampada nas estatísticas de evasão), a necessidade de formar engenheiros aptos a fazer frente aos novos desafios têm levado professores e instituições a refletir sobre a prática educacional. A conferência do professor Walter Bazzo mostrou que há uma alternativa de baixo custo e alto potencial transformador: a formação dos formadores de engenheiros.

 

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