HOJE É DIA DE TELE

Quinta-feira de manhã. Marcos levantou um pouco mais agitado. Afinal, era dia de teleconferência. No início da semana, Marcos, Chico, Marcelo, Cecília e Carlos já haviam se reunido, baixado os textos de Walter Bazzo e dos debatedores Bragança Pinheiro e Marcos Masseto, indicados no site do Engenheiro 2001. Ficaram espantados ao descobrir que o próximo conferencista era um crítico severo do atual modelo de ensino universitário. E que algumas de suas críticas eram muito parecidas com aquelas que ele e os amigos vinham fazendo informalmente.

Durante a semana, cada qual leu os textos em casa, dando especial atenção ao do conferencista. Fizeram anotações, refletiram e levantaram dúvidas. Foi marcado um encontro na tele-sala pouco antes do início da teleconferência, para que o grupo pudesse trocar impressões sobre os textos e entrar em sintonia.

Às 14h, já estavam na tele-sala Marcos e seus amigos, dois de seus professores — alguns professores se recusaram a prestigiar as teleconferências — Roberto, um engenheiro que teve apoio da empresa onde trabalha para assistir ao Engenheiro 2001, e Afonso, atualmente desempregado. Parecia uma Copa do Mundo! Todos ali, contudo, sabiam que, ao contrário de um jogo que acaba quando o juiz apita, o conteúdo de uma teleconferência começa a valer no momento em que termina, e se estende por muitos anos da vida de um profissional.

Debateram durante 40 minutos seus pontos-de-vista. Marcos, por exemplo, identificou-se com as críticas aos professores desinteressados dos alunos, entretidos somente com seus projetos. Roberto elogiou a parte dedicada à importância da criatividade, pois já estava sentindo-se pressionado, em seu trabalho, na busca de soluções novas e iniciativas e não apenas no cumprimento de instruções superiores. Os professores sentiram-se motivados com algumas das propostas de Bazzo para um aprendizado menos formal e mais interativo entre professores e alunos. Eles já sabiam que, mais importante que ensinar, é aprender.

Pouco antes do início da conferência, o grupo decidiu formular, de antemão, algumas questões. Afinal, são mais de 100 tele-salas em todo o país, e dificilmente haveria tempo para que todas as perguntas fossem respondidas. Formular uma questão coletiva poderia permitir ao conferencista atender, em apenas uma resposta, ao grupo bastante heterogêneo daquela tele-sala. Quando, pontualmente às 14h45, Paulo Blikstein apareceu na tela, o grupo parecia saber mais sobre Walter Bazzo do que o próprio!

Durante a conferência, Bazzo apresentou suas idéias com o estilo desconcertante de sempre. Marcos e seus amigos não resistiram e enviaram mais algumas perguntas. O conferencista pôs o dedo em vários pontos críticos da universidade brasileira, discutiu o futuro da engenharia e respondeu, às vezes até mesmo de forma radical às dúvidas dos participantes. O debate foi intenso. A agradável surpresa foi que, em meio ao debate, Paulo Blikstein formulou a questão que o grupo havia preparado pouco antes. Todos vibraram.

Ao final da teleconferência, após cada um registrar a presença na tele-sala, o grupo sentia-se mais coeso, mais rico em conhecimento e mais motivado para enfrentar os desafios do futuro.

Marcos, especialmente, sentiu-se gratificado ao constatar que todo o seu interesse por conhecimentos variados — que sempre considerara útil mas que, em geral, era pouco considerado por seus professores mais técnicos — seria um diferencial e tanto na sua carreira profissional prestes a começar. Sentia-se o próprio Engenheiro 2001!

Naquele dia 4 de novembro de 1999, aquelas pessoas todas já estavam antenadas no próximo século. Quatro de novembro ainda não chegou. A teleconferência de Walter Bazzo ainda não ocorreu. Mas poderá ser exatamente assim se você e seus colegas fizerem como Marcos, seus amigos e professores. Sintonize-se nas questões de engenharia que vão dominar as próximas décadas. Aproveite ao máximo o Engenheiro 2001 e prepare-se para fazer parte do grupo de ponta da engenharia brasileira na era da informação.

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